Base alimentar de boa parte dos lares paraenses, o açaí é vendido em quase todas as esquinas da capital paraense. E, quem toma açaí, sabe: quanto mais grosso, mais caro.
Por isso, alguns batedores de açaí se utilizam de manipulações para engrossar o produto e, assim, vender um açaí menos puro por preços maiores, configurando assim uma fraude e colocando a saúde dos clientes em risco.
De acordo com a especialista em gestão de vigilância sanitária da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SESMA), Débora Barros, a adulteração do açaí oferecer vários riscos à saúde do consumidor.
"Consumir açaí artesanal ou despolpado, assim como qualquer alimento que sofra adulterações ou contaminações, sejam elas, físicas, químicas ou biológicas, podem levar a problemas de saúde, que vão desde uma infecção leve até mesmo a um problema mais grave de saúde ou a óbito", explicou a especialista.
Débora Barros, que chefia a Casa do Açaí, do Departamento de Vigilância Sanitária (DEVISA), explicou também que a adulteração do açaí pode ser facilmente identificada pelo consumidor. "O consumidor pode observar a sua espessura, se nele tem formação de grumos, se a coloração está fora do padrão natural da polpa. O sabor também modifica se houver adulteração, normalmente ele fica com gosto menos característico".
Débora também explicou as várias manipulações possíveis no açaí. "A Vigilância Sanitária, em ações há alguns anos, chegou a detectar, após análises realizadas pelo laboratório central, a presença de celulose que caracteriza o uso do papel para engrossar a polpa. Também tivemos informações que são adicionados espessantes, pó das farinhas de tapioca e de mandioca, também com intuito de engrossar a polpa".
Também são adicionados corantes alimentícios, com o objetivo de tornar a cor do açaí mais atrativa e "vendável".
Nesta quinta-feira (6), um batedor de açaí foi detido por desobediência após reabrir o ponto de forma irregular, sem autorização da Vigilância Sanitária. Ele havia sido impedido de continuar comercializando o produto após análises da vigilância sanitária acusarem a presença de celulose (papel) no açaí vendido por ele.
No total, 22 pontos foram vistoriados nos bairros da Condor, Guamá, Cremação, Jurunas, Canudos e Terra Firme. Desses, 14 estabelecimentos foram interditados, e outros 8 receberam notificações por irregularidades.
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