No Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá, na Região de Integração (RI) Carajás, o tempo de espera dos usuários por consultas e exames é transformado em aprendizado com o projeto "Saúde em Foco", que oferece informação e orientações educativas. Nesta quinta-feira (4), o tema foi a Esclerose Múltipla, com explicações acessíveis sobre sintomas, formas de diagnóstico e possibilidades de tratamento da doença neurológica.
Maria do Carmo, 52 anos, moradora de Marabá, aguardava consulta com o otorrinolaringologista quando participou da atividade. “Achei importante, porque não conhecia a doença e muitas vezes deixamos de procurar ajuda por falta de informação e orientação. É um cuidado simples, mas que faz a diferença na nossa saúde”, ressaltou.
De Itupiranga, na Região do Lago de Tucuruí, Antônio Oliveira, 60 anos, aguardava um exame de raio-x e contou que a experiência mudou sua percepção da espera. Para ele, receber informações enquanto aguardava o atendimento quebrou a monotonia hospitalar. “Nunca tinha participado de uma ação assim e gostei muito. A espera ficou diferente, mais proveitosa, e ainda aprendi sobre um tema que eu não conhecia”, destacou.
O Projeto de humanização “Saúde em Foco”, realizado na unidade do Governo do Pará, mostra que o cuidado vai além do atendimento médico. Ao transformar a espera em espaço de diálogo, o projeto aproxima pacientes do conhecimento, estimula a curiosidade sobre a própria saúde e fortalece o vínculo de confiança entre a população e o hospital.
Aprendizado que transforma
A palestra, conduzida pela enfermeira Marília Sampaio, apresentou as características da esclerose múltipla, seus sintomas e possibilidades de tratamento. Em um diálogo próximo e acessível, os pacientes esclareceram dúvidas, receberão orientações de autocuidado e compreenderam a importância de procurar ajuda médica diante dos sinais da doença.
“A esclerose múltipla é uma doença que afeta o sistema nervoso central e pode causar fadiga, alterações na visão, dificuldade para andar e perda de força nos músculos. Reconhecer os sinais e procurar atendimento especializado é essencial para garantir qualidade de vida e controlar a progressão da doença”, explicou a profissional.
A enfermeira ressaltou que, embora a doença não tenha cura, o tratamento oferece controle aos pacientes. Com medicações adequadas e acompanhamento médico, é possível reduzir crises, retardar a evolução da doença e preservar a autonomia. “Quando iniciado precocemente, o tratamento ajuda a manter as atividades, melhora a qualidade de vida e permite enfrentar a doença com dignidade”, destacou Marília.
Ela também reforçou a importância dos cuidados diários que podem ajudar na convivência com a doença. “Não existe uma forma específica de prevenir a esclerose múltipla, mas hábitos saudáveis fazem diferença. Manter boa alimentação, praticar atividade física, dormir bem e realizar consultas regulares, são atitudes que fortalecem o organismo e ajudam a enfrentar os desafios com qualidade de vida”, concluiu.
Assistência neurológica
O Hospital, sob gestão do Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA) e da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), oferece atendimento ambulatorial especializado em neurologia, um serviço essencial para pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo em casos de doenças que afetam o sistema nervoso.
A unidade dispõe ainda de exames de alta complexidade, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, que garantem maior precisão no diagnóstico e auxiliam na condução do tratamento de diversas condições neurológicas. Essa estrutura reforça o compromisso do hospital em aliar tecnologia e cuidado humano, assegurando assistência completa e de qualidade à população da região sudeste do Pará.
“Ao integrar informação, acolhimento e assistência médica de qualidade, o Hospital amplia as chances de diagnóstico precoce, garante tratamentos adequados e reafirma que o cuidado vai além das paredes do consultório, alcançando cada paciente em sua trajetória de vida”, destacou Flávio Marconsini, diretor executivo da unidade.
Estrutura - O atendimento no Hospital Regional Público do Sudeste é 100% gratuito, ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade conta com 135 leitos, sendo 97 de internação clínica e 38 de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Texto: Ederson Oliveira
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