Grandes tragédias industriais costumam deixar mais perguntas do que respostas nos primeiros dias de investigação. Foi o que aconteceu em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba, onde a explosão em uma fábrica de explosivos da Enaex matou nove pessoas e transformou a madrugada de 12 de agosto deste ano em um cenário de destruição. Um mês depois, começam a surgir explicações técnicas que ajudam a entender como o acidente pode ter acontecido.
Um laudo da Polícia Científica do Paraná, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo governo estadual, aponta que a baixa temperatura registrada na cidade - 3 graus no momento do incidente - pode ter contribuído para a explosão. O documento indica que um dos reatores da unidade operava fora da faixa segura, abaixo do mínimo de 50 graus exigido para o processo de produção.
O equipamento em questão funcionava como misturador para a fabricação de pentolite, explosivo obtido a partir da fusão de TNT e nitropenta. Trata-se de um processo delicado, que exige controle rigoroso de calor para evitar riscos. Os peritos explicam que, em condições mais frias do que o ideal, a mistura pode ter começado a se solidificar, aumentando o atrito das pás do reator e gerando fagulhas. Fator considerado determinante para a tragédia.
A Polícia Civil do Paraná solicitou mais 30 dias para concluir o inquérito. O prazo inicial terminaria no último dia 11, mas a investigação foi prorrogada até outubro, quando os peritos esperam reunir todos os elementos necessários para esclarecer o acidente.
Na madrugada de 12 de agosto de 2025, por volta das 5h30, ocorreu uma explosão na fábrica de explosivos Enaex Brasil, em Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, Paraná.
O impacto foi tão intenso que os nove trabalhadores que estavam no local morreram (seis homens e três mulheres), dois conseguiram escapar sem ferimentos graves, e outras sete pessoas ficaram feridas. Em razão da violência da detonação, os corpos foram "fragmentados", o que tornou necessária uma investigação científica para identificar as vítimas com rigor.
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