Durante entrevista concedida nesta sexta-feira (10) à imprensa paraense, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comentou a morte de Marcello Vitor Carvalho de Araújo, de 24 anos, ocorrida durante a operação “Eclesiastes”, no bairro do Jurunas, em Belém.
Segundo o porta-voz da instituição, a operação seguiu os trâmites legais e visava o cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal contra um investigado de alta periculosidade. De acordo com o relato oficial, a equipe localizou o alvo na residência de terceiros e não na casa habitual do investigado.
“É importante lamentar o desfecho desse episódio. Nunca é o resultado esperado pela Polícia Federal. Nós realizamos mais de 3 mil operações por ano, e incidentes como esse são raros. Ainda assim, lamentamos toda e qualquer morte, seja de investigado ou não”, afirmou o delegado.
Durante o cumprimento do mandado no endereço do Jurunas, a PF afirma que houve uma reação por parte de um morador, identificado como Marcello, que teria agredido um dos agentes com um soco no rosto e tentado tomar a arma de outro policial. Diante da ameaça, segundo o diretor-geral da PF, os agentes reagiram e Marcello acabou baleado e morto.
“Houve uma agressão violenta a um policial, que inclusive foi hospitalizado. O morador também tentou tomar a arma de outro agente. Se tivesse conseguido, as consequências poderiam ser ainda mais graves”, disse Andrei Rodrigues.
Ele garantiu que todo o procedimento foi registrado com perícia no local do crime, com a presença de peritos vindos de Brasília, apreensão das armas utilizadas, coleta de depoimentos e instauração de inquérito policial sob supervisão do Ministério Público Federal e do Poder Judiciário.
Os policiais envolvidos não estão afastados por determinação judicial, mas foram temporariamente retirados de operações do mesmo tipo, como medida preventiva e de apoio institucional.
“Não houve nenhuma medida judicial contra os agentes. Estamos preservando esses policiais por cautela e por respeito ao nosso material humano”, declarou.
A família de Marcello contesta a versão apresentada. Segundo a mãe do jovem, não havia mandado de prisão direcionado à residência dela e o filho estava acordando quando foi abordado. Também circula a versão de que os agentes teriam confundido os nomes — já que o alvo da operação também se chama Marcelo.
A PF rebateu essa alegação, informando que o mandado é contra a pessoa, e não contra um endereço específico. Assim, os policiais teriam agido dentro da legalidade ao entrar no local onde o alvo estava.
“Não houve erro de endereço. Fomos cumprir o mandado no local onde o alvo da operação realmente estava. O nome dos moradores não importa. O que importa é que a pessoa procurada estava lá. Infelizmente, outro morador, que coincidentemente tinha o mesmo nome, reagiu de forma violenta e foi alvejado”, concluiu o delegado.
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