O jovem de 19 anos que passou cinco dias perdido na montanha mais alta do sul do Brasil reencontrou a colega de trilha que o abandonou no local. O encontro emocionou os dois e expôs os riscos de fazer trilhas sem preparo adequado.
Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, reencontrou Thayane Smith, também de 19 anos, após ser resgatado da trilha no Pico Paraná. O momento aconteceu em uma praça de Curitiba e foi exibido no programa Fantástico, da TV Globo.
Thayane pediu desculpas ao rapaz por tê-lo deixado sozinho na trilha. "Desculpa por ter deixado você para trás, eu acreditei que você ia conseguir chegar, não imaginei que isso ia acontecer", disse a jovem.
Ela afirmou que tentou ligar para Roberto sem sucesso e demonstrou arrependimento pela decisão. "Se eu não tivesse deixado ele para trás, nada disso teria acontecido."
Durante o encontro, Roberto devolveu a bolsa de Thayane e encerrou o contato entre os dois. "Se cuida, Deus te abençoe muito, e nosso laço se encerra aqui."
Segundo informações dos bombeiros, Roberto e Thayane começaram a subir o Pico Paraná às 13h do dia 31 de dezembro de 2025. A montanha tem 1.877 metros de altitude e é a mais alta do sul do Brasil.
Durante a subida, Roberto vomitou várias vezes, mas os dois seguiram em frente. Eles chegaram ao cume por volta das 4h do dia 1º de janeiro de 2026.
Às 6h30, o grupo iniciou a descida com outros trilheiros. Roberto se afastou do grupo durante o trajeto e se perdeu.
Em entrevista ao Fantástico, o jovem reconheceu que cometeu erros e que a trilha não tinha sinalização adequada:
Roberto explicou que errou o caminho em uma encruzilhada.
"Tinha uma parte que estava sinalizada, e outra, não, e acabei deslizando penhasco abaixo. Eu tentei voltar para cima, com toda a força, eu puxava e gritava socorro."
Segundo os bombeiros, foi a primeira vez que alguém passou por aquele trecho sem equipamentos de segurança.
Roberto relatou que seu corpo ficou fraco e desidratado após vomitar por causa de um iogurte que tomou na subida.
Após dias perdido na mata, ele chegou a uma fazenda da Central Geradora Hidrelétrica Cacatu, em Antonina. Os homens que trabalham no local o ajudaram e acionaram o resgate.
Renata Farias Tomaz, irmã de Roberto, falou sobre o impacto do incidente na família. "A nossa família estava muito quebrada, muito quebrada, e cada um para um lado. Foi a reconciliação."
Roberto também reencontrou os trabalhadores da fazenda que o encontraram e ajudaram no resgate.
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