Na manhã desta terça-feira (13), novas informações sobre a morte do adolescente Pedro Henrique de Souza da Silva, de 14 anos, surgiram após um grupo de pessoas colocar fogo na casa onde a “armadilha” elétrica foi instalada, no bairro Nossa Senhora Aparecida. As autoridades policiais ainda não informaram que linha de investigação estão seguindo para o caso.
Em entrevista após o incêndio, Geneson Benício da Silva, pai do garoto, afirma que a instalação foi feita de forma proposital. “Foi constatado que foi mesmo uma armadilha. O fio estava amarrado em um ferro, escondido no pé do muro e ligado na extensão geral do poste”.
No dia da fatalidade, domingo (11), Geneson tentou socorrer o filho utilizando pedaços de madeira devido à forte corrente elétrica, mas o menino não resistiu. Segundo relatos, a vítima brincava com irmãos e primos e tentava pegar mangas em um terreno vizinho quando encostou em um fio energizado.
Para o Correio de Carajás, nesta terça, uma moradora que preferiu não se identificar, vizinha do local, relatou que o autor da armadilha havia se mudado para o imóvel há cerca de três meses e demonstrava hostilidade contra as crianças. Segundo a testemunha, o homem reclamava que os meninos jogavam pedras e pegavam mangas, chegando a ameaçar “meter a porrada” neles.
Embora o homem alegasse ter eletrificado a cerca para ‘espantar animais’, a mulher contesta essa versão. “Ele botou esse fio não foi para espantar animal, foi por pura maldade mesmo”, declara. A energia utilizada na “armadilha” provinha de uma ligação ilegal, popularmente conhecida como “gato”.
Após o ocorrido, o morador fugiu do local. Segundo Geneson, antes de desaparecer, o homem demonstrou frieza. Ao ser questionado sobre o risco que a fiação oferecia, teria dito que “não poderia fazer nada” e que, se precisassem falar com ele, o procurassem na igreja.
Na tentativa de não ser encontrado, ele chegou a retirar a placa de sua moto durante a fuga, mas o objeto foi encontrado pela polícia. Agora, as autoridades já sabem que ele trabalhava em uma loja de materiais elétricos.
REPERCUSÃO
A comoção gerada pela morte da criança levou a população a invadir e incendiar a casa do suspeito. Após o sinistro, Geneson esclareceu que não estava presente no momento do incêndio, pois estava no cemitério, no enterro do filho. “Eu pedi para o pessoal não fazer isso, porque ia me complicar”, disse.
A advogada da família, Eliane Oliveira, reforçou que Geneson possui álibis e testemunhas que comprovam sua ausência durante o ato de vandalismo, isentando-o de responsabilidade sobre o incêndio. A advogada trata o caso como homicídio doloso (quando há intenção ou se assume o risco de matar).
“Entendemos que foi uma forma dolosa de deixar os fios ali, sabendo que a criança passava para pegar manga”, afirmou a advogada, que promete acompanhar rigorosamente o inquérito. A Polícia Civil ainda não divulgou se o responsável pela armadilha poderá ser indiciado por este crime.
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