Unidade de Conservação de Proteção Integral, o parque terá como principal objetivo a preservação do patrimônio natural da região
Vivendo um novo tempo e construindo uma nova história, a Prefeitura de Parauapebas já deu início às execuções do mais novo Parque Natural do município: o Maria Bonita. Localizado entre os bairros Alvorá e Nova Carajás, o espaço abriga uma rica biodiversidade, com fauna e flora preservadas, além de uma expressiva beleza cênica, consolidando-se como um importante patrimônio natural da cidade.
Nesta quinta-feira, 22, a obra recebeu a visita de uma equipe técnica da Vale S.A., formada por Joina Santos, analista de Relacionamento Institucional; Poliana Pereira, gerente de Construção; Rômulo Lopes, analista de Sustentabilidade (Ambiental, Social e Governança – ESG); e os engenheiros civis Alexandre Gomes e Luiz Gonzaga.
No local, a equipe técnica da mineradora foi recepcionada pela equipe técnica multidisciplinar do Programa de Saneamento Ambiental, Macrodrenagem e Recuperação de Igarapés de Parauapebas (Prosap).
“A visita reforça o trabalho que já desenvolvemos no município e demonstra que estamos seguindo tudo o que foi definido e aprovado previamente nos projetos, além de cumprir rigorosamente as condicionantes ambientais estabelecidas. A Vale financia esta obra como forma de compensação financeira aplicada em Parauapebas e executada conforme as exigências ambientais previstas”, destacou o coordenador do programa e engenheiro civil da prefeitura, Thiago Batista.
O momento também contou com a presença de representantes da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semma): Nívea Santos, adjunta da pasta, e Pricila Leal, diretora de Áreas Protegidas; e, ainda, com o coordenador de Projetos Especiais, Captação de Recursos e Gestão de Convênios (Copec), Markesan Silva, e Diego Santos, engenheiro civil e assessor da coordenadoria.
“O Parque Maria Bonita representa um marco para Parauapebas. Estamos falando de uma área de grande valor ambiental, que agora passa a ser oficialmente protegida e preparada para as futuras gerações. Nosso compromisso é unir desenvolvimento urbano com responsabilidade ambiental, garantindo que o crescimento da cidade aconteça de forma planejada, sustentável e respeitando a nossa biodiversidade. Este parque é um legado para a população e um exemplo de que é possível avançar cuidando do meio ambiente”, destacou o prefeito Aurélio Goiano.
Maria Bonita
Assim como em todas as obras executadas pelo Prosap, o Parque Maria Bonita também contou com a mobilização da comunidade, por meio do trabalho da equipe social, que informou os moradores sobre o início das intervenções, além da atuação da equipe ambiental, responsável por monitorar e fiscalizar as execuções, além de assegurar o cumprimento das condicionantes ambientais.
Classificado como uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, o parque tem como principal finalidade proteger o conjunto paisagístico e ecológico da área, promover a conservação e a recuperação dos recursos naturais, assegurar a ocupação ordenada do solo e também possibilitar a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e turismo ecológico, conforme estabelece o Decreto nº 811/2022, que instituiu a unidade.
A obra foi iniciada com todas as autorizações ambientais necessárias, incluindo a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), que disciplina os procedimentos para a retirada de vegetação; a Licença Prévia (LP), que aprova a localização e a concepção do empreendimento, atestando sua viabilidade ambiental; e a Licença de Instalação (LI), que autoriza a execução da obra conforme as especificações previstas nos planos, programas e projetos aprovados.
“Estamos na fase de finalização da supressão vegetal e da limpeza da área, com a retirada de galhadas e de todo o material lenhoso, que será destinado ao bota-fora e permanecerá armazenado até a reutilização conforme as demandas da Semma. Concluída essa etapa, iniciaremos, de fato, a construção da estrutura física, correspondente à parte civil da execução”, explicou Zanandréa Nascimento, analista ambiental e supervisora do Setor de Licenciamento e Monitoramento do Prosap.
Desenvolvimento sustentável
Com área total de 159,89 hectares, o que corresponde a aproximadamente 1.000.600.00 (um milhão e seiscentos mil) metros quadrados, conforme o Decreto nº 666/2023, que alterou o Decreto nº 811/2022, o parque contará com infraestrutura moderna e acessível.
Desse total, 2,25 hectares, ou seja, 22.500 metros quadrados, correspondem à área total de intervenção, onde serão construídos diversos espaços internos com áreas verdes, locais destinados à caminhada e ao lazer, além de ambientes planejados para estimular o convívio familiar e comunitário.
O projeto prioriza a sustentabilidade ambiental, adotando soluções que promovem a preservação do meio ambiente e o bem-estar dos usuários.
Com a implantação do Parque Maria Bonita, a gestão municipal reforça o compromisso com o desenvolvimento urbano planejado e com a criação de equipamentos públicos que atendam às necessidades da comunidade. A expectativa é que o novo espaço se torne um importante ponto de encontro para moradores de diferentes bairros, contribuindo para uma cidade mais humana, integrada, acolhedora e sustentável.
Espécies
Além da própria Maria Bonita, levantamento realizado em setembro de 2025, por meio do Inventário e Programa de Captura, Resgate, Coleta, Transporte e Soltura de Fauna Silvestre, identificou 37 espécies de aves na área, entre elas a arara-vermelha-grande, espécie frequentemente alvo do tráfico de animais silvestres e impactada pela perda de habitat.
“O grupo com maior riqueza e biodiversidade que encontramos foi o das aves. No entanto, também identificamos mamíferos, como a cotia e o macaco zogue-zogue, além de répteis, a exemplo da cobra-coral”, explicou Flávio Oliveira, biólogo que atua na área do parque.
Segundo Flávio, os animais resgatados durante o período de supressão vegetal são soltos dentro da própria área do parque, garantindo sua reintegração ao habitat natural.
A maria-bonita (Taeniotriccus abdrei) é uma espécie endêmica da região amazônica, especialmente na área de transição Cerrado/Amazônia, com distribuição descontínua e registros restritos aos estados do Mato Grosso e do Pará, sendo Parauapebas o município com maior número de avistamentos, conforme dados da Universidade Federal Rural da Amazônia (2014). De pequeno porte, a ave mede cerca de 11,5 centímetros de comprimento e pesa entre 8 e 9,6 gramas, segundo o Wikiaves.
Reportagem: Nara Moura
Fotos: Chico Souza e Nara Moura
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