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Brasil ABUSO

Justiça condena padre a três anos de prisão por violação sexual em 'sessão espiritual'

A decisão foi tomada a partir de ação penal movida pelo Ministério Público do Paraná relacionada a um caso ocorrido em fevereiro de 2022

31/03/2026 05h17
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo
A tradição teve início com o casal Manoel (Manduca) e Izabel, naturais do Marajó, que trouxeram a tradição ao bairro. (Foto: Reprodução/ iSTOCK)
A tradição teve início com o casal Manoel (Manduca) e Izabel, naturais do Marajó, que trouxeram a tradição ao bairro. (Foto: Reprodução/ iSTOCK)

A 2ª Vara Criminal de Paranaguá, no litoral do Paraná, condenou um padre a dois anos e 11 meses de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude.

A decisão foi tomada a partir de ação penal movida pelo Ministério Público do Paraná relacionada a um caso ocorrido em fevereiro de 2022, no interior de uma igreja localizada na Ilha dos Valadares, em Paranaguá. A Promotoria pretende entrar com recurso, buscando o aumento da pena, informou a promotora de Justiça Simone Berci Françolin. O processo está sob segredo de Justiça.

De acordo com a sentença, o religioso se aproveitou da "posição de confiança e da autoridade inerente à sua função religiosa para praticar atos de natureza sexual contra a vítima".

A denúncia do Ministério Público aponta que o abuso ocorreu durante um suposto "atendimento espiritual, momento em que o condenado utilizou meios fraudulentos que comprometeram a livre manifestação de vontade da mulher".

Segundo a Promotoria, a decisão judicial é fundamentada em um "sólido conjunto de provas, que incluiu o relato firme e coerente da vítima, corroborado por depoimentos de testemunhas e documentos, como fotografias do local e imagens extraídas das redes sociais da paróquia à época dos fatos".

Toques

Durante o processo, o juízo rejeitou todas as justificativas da defesa do padre réu. A tese de que os atendimentos aos fiéis ocorriam exclusivamente em uma área aberta, na nave da igreja, foi descartada pelas fotos e documentos anexados aos autos.

Ainda de acordo com a Promotoria, "a tentativa de negar qualquer contato físico em atendimentos foi afastada após uma testemunha de defesa afirmar a ocorrência de toques durante os encontros religiosos".

Abuso da confiança

Apesar de o réu ser primário, a Justiça determinou o cumprimento da pena em regime inicial semiaberto. A escolha por um regime mais rigoroso foi justificada pelas circunstâncias judiciais desfavoráveis, "especialmente pela gravidade concreta da conduta e pelo abuso da confiança depositada nele como líder espiritual".

A sentença também estipulou o pagamento de uma indenização mínima de R$ 1,5 mil à vítima, valor que ainda passará por correção monetária.

Atualmente, encontram-se vigentes contra o padre medidas cautelares diversas da prisão, entre elas o recolhimento do passaporte do réu e o seu afastamento da função. O descumprimento dessas restrições implicará na decretação de sua prisão.

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