Um susto inesperado transformou um dia comum em Itajaí, cidade de Santa Catarina, em um verdadeiro drama para a família de Olívia, de 4 anos. A criança foi picada por uma cobra coral enquanto brincava na porta de casa, no dia 25 de abril, após o irmão mais velho ter encontrado o animal, confundido com uma minhoca.
“Eles viram os gatos interagindo com o bicho, acharam que era inofensivo. Quando percebemos que era uma coral, foi pânico total”, relata a mãe, Jéssica Aparecida de Souza Schutell, de 33 anos. O pai conseguiu capturar a serpente em um pote, enquanto a família corria para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local.
O atendimento inicial foi rápido, mas logo surgiram complicações. Após a aplicação do soro antielapídico, que neutraliza o veneno da cobra, Olívia apresentou o primeiro de três choques anafiláticos, reação alérgica grave que comprometeu sua respiração e provocou inchaço e vômitos. “Ela ficou irreconhecível durante as crises. Foi desesperador”, lembra a mãe.
A menina recebeu suporte intensivo em Florianópolis e só recebeu alta após três dias de observação contínua, com monitoramento médico rigoroso. “Ainda seguimos com exames e reposição de vitaminas, mas hoje ela está bem. Nosso verdadeiro milagre”, afirma Jéssica.
A família decidiu compartilhar a experiência nas redes sociais como forma de prevenção. Segundo Jéssica, a repercussão trouxe críticas, inclusive ao filho mais velho, que acidentalmente trouxe a cobra para dentro de casa. “Foi um acidente isolado. Nunca deixamos eles brincarem sozinhos, nossa rua é sem saída, e ainda assim aconteceu”, explica.
A cobra coral é uma das serpentes mais venenosas do Brasil, mas costuma evitar contato com humanos. De acordo com o biólogo Fabiano Soares, acidentes geralmente acontecem quando alguém tenta tocar ou manipular o animal sem perceber.
“O veneno atua no sistema nervoso e pode causar fraqueza muscular, dificuldade para respirar e até paralisia. Em crianças, os efeitos podem surgir mais rapidamente e ser mais graves”, alertou o biólogo.
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