A filha de 7 anos da soldado Gisele Alves Santana prestou depoimento nesta quarta-feira (1º), no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. A menina foi ouvida na audiência de instrução do processo que julga o tenente-coronel aposentado Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido da policial militar morta em fevereiro de 2025.
Ele responde pela acusação de feminicídio e fraude processual. A menina chegou ao fórum acompanhada do pai e de um advogado. Antes de depor, ela passou por um processo chamado psicoeducação jurídica.
Nesse método, a criança recebe informações sobre o processo de forma lúdica e, assim, pode decidir de forma consciente se deseja ou não colaborar com a Justiça. Ela aceitou e foi ouvida na sequência.
Além da criança, outros familiares e amigos de Gisele também prestaram depoimentos nesta quarta-feira. Contudo, os nomes e os conteúdos dessas oitivas não foram divulgados publicamente.
Esta foi a terceira sessão de oitivas no processo, que ocorre na 5ª Vara do Júri de São Paulo. Na sexta-feira (3), será a vez do próprio réu depor. Geraldo Neto sustenta a versão de que a esposa morreu por suicídio.
Porém, diversas inconsistências nessa tese o levaram a ser indiciado e a tornar-se réu na ação. No dia anterior às oitivas desta quarta, dez policiais militares foram ouvidos.
Entre eles, estavam agentes e bombeiros que prestaram os primeiros socorros à vítima. Esses depoimentos revelaram pontos fundamentais da investigação, especialmente por apontar contradições na versão do acusado.
Um dos episódios mais relevantes relatados por esses agentes foi o seguinte:
Esse comportamento foi determinante para que Geraldo Neto respondesse também por fraude processual, além do feminicídio.
Ao fim das cinco sessões de audiência, a Justiça vai avaliar a pronúncia do réu. Esse passo definirá se ele irá a júri popular ou responderá diretamente ao juízo. Ao todo, mais de 40 testemunhas devem ser ouvidas no decorrer do processo.
Em 10 de junho de 2025, a Polícia Militar de São Paulo publicou portaria oficial com a ida do tenente-coronel para a reserva da corporação. Com isso, ele se aposentou formalmente.
O ato foi assinado pelo coronel Antonio Thazelli Junior, diretor de inatividade e pensão militar da corporação. A portaria que iniciou o processo de inatividade foi publicada em abril de 2025.
Além disso, a aposentadoria foi concedida mediante pedido do próprio Geraldo Leite. Segundo o documento, ele tem direito aos vencimentos integrais.
Portanto, pode seguir recebendo salário, que era de R$ 28,1 mil brutos quando ainda estava na ativa.
O advogado Eugênio Malavasi, responsável pela defesa do réu, declarou em abril de 2025 que a decisão de pedir a reserva foi particular. Segundo ele, o motivo foi o fato de o oficial ter cumprido sua missão na corporação.
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