O pesquisador brasileiro José Pedro Friedmann Angeli foi um dos vencedores do Prêmio Alemão de Combate ao Câncer de 2026, uma das principais honrarias científicas da Alemanha, considerada o “Oscar da pesquisa” no país. Professor de Biologia Celular Translacional na Universidade de Würzburg, Angeli recebeu o reconhecimento na categoria de Pesquisa Experimental ao lado do cientista Marcus Conrad, do Instituto Helmholtz de Munique.
A premiação foi devido ao trabalho da dupla sobre a ferroptose, um mecanismo de morte celular que pode se tornar uma nova estratégia para combater cânceres agressivos e resistentes aos tratamentos convencionais. Segundo os pesquisadores, a ferroptose ocorre quando há um processo de oxidação das membranas das células, dependente da presença de ferro no organismo. Diferentemente da apoptose, que é a morte celular programada natural, esse mecanismo pode ser explorado para eliminar células tumorais.
Em entrevista à Deutsche Welle Brasil, Angeli compartilhou que o interesse pelo processo aumentou porque alguns tipos de tumores mais difíceis de tratar apresentam maior sensibilidade à ferroptose. Por causa disso, a descoberta pode abrir novos caminho para o desenvolvimento de medicamentos capazes de ativar esse mecanismo diretamente nas células cancerígenas.
Ainda na entrevista, ele explicou o fenômeno comparando-o à oxidação de alimentos. "O processo de ferroptose envolve a oxidação de ácidos graxos. O jeito talvez mais fácil de visualizar isso é se, por exemplo, você pega um pedaço de queijo, você pega uma manteiga e esquece fora da geladeira. Ela vai mudar de cor, o sabor vai mudar. E todo esse processo de oxidação é basicamente isso o que acontece: o oxigênio modificando lipídios. E isso acontece nas células também. As células são compostas de ácidos graxos, e esses ácidos graxos são vulneráveis ao ataque por espécies reativas de oxigênio", compartilhou.
A trajetória premiada começou com as pesquisas lideradas por Conrad, que identificou que a perda da enzima glutationa peroxidase 4 (GPX4) desencadeia a ferroptose. Já a parceria com Angeli ajudou a revelar os mecanismos que regulam esse processo.
Ao longo dos anos, os dois cientistas identificaram juntos fatores que tornam as células tumorais mais vulneráveis ou resistentes à ferroptose e desenvolveram compostos experimentais para ativar esse processo. Testes iniciais em camundongos realizados por eles mostraram redução no crescimento de tumores e na formação de metástases.
"A gente ganhou pelas descobertas da biologia, do processo fundamental de regulação da ferroptose. E isso tem relevância para o câncer devido a esse grande interesse em eliminar essas células que são resistentes a drogas", afirmou Angeli sobre à conquista à DW.
Criado em 1986, o Prêmio Alemão de Combate ao Câncer reconhece pesquisadores de países de língua alemã em áreas como pesquisa experimental, aplicação clínica, diagnóstico, tratamento e saúde pública. Embora os estudos ainda estejam em fase pré-clínica, o trabalho de Angeli e Conrad é considerado promissor para futuros tratamentos contra tumores resistentes e reforça a presença da ciência brasileira no cenário internacional.
TRAGÉDIA Brasileira é morta pelo filho de 15 anos após discussão em Portugal
SEUS DIREITOS CNH digital vale para fiscalização em blitz? Entenda as regras
EXAUSTÃO NO TRABALHO Veja os setores com mais profissionais em risco de burnout
GRANDE PRÊMIO Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 3 milhões. Veja os números
COMO VAI FUNCIONAR? Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027
OPERAÇÃO Homem é preso suspeito de aliciar menina de 11 anos na web Mín. 21° Máx. 38°
Mín. 24° Máx. 36°
Parcialmente nubladoMín. 22° Máx. 38°
Tempo limpo
Mundo dos Esportes Remo é multado pelo STJD após copo ser lançado contra o árbitro
Tecnologia e Cinema Google libera remoção de marca d’água em conteúdos de IA
Mundo dos Famosos Mara Maravilha revela motivo de desavença com Xuxa
Bastidores da Política Eugenio Gadelha inicia corrida eleitoral com grande comício no dia 21 de agosto