A queda de um avião de pequeno porte que deixou dois mortos em Palmas trouxe à tona a situação irregular do aeródromo de onde a aeronave partiu. O Condomínio Sítio Flyer está impedido de realizar operações aéreas por determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que aponta falhas administrativas e ausência de requisitos necessários para garantir a segurança da atividade.
O acidente ocorreu na manhã de sábado (18/07), poucos instantes após a decolagem. A aeronave, um EMB-721C, caiu em uma área de vegetação. Morreram o médico Éderson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62 anos. O piloto, Hamilton Lopes da Conceição, sobreviveu e permanece internado no Hospital Geral de Palmas. O estado de saúde dele não foi divulgado.
Documentação da Anac mostra que a situação do aeródromo permanece pendente desde 2020, quando foi iniciado um processo de atualização cadastral que nunca chegou ao fim. Entre as exigências não cumpridas estão a comprovação da propriedade da área e a apresentação dos documentos que identificam oficialmente quem responde pela administração e pela operação da pista.
Sem essas informações, a agência afirma não ser possível identificar o responsável técnico pelo aeródromo. Diante desse cenário, foi determinada a interdição preventiva das operações por tempo integral, medida adotada em razão do risco potencial à segurança da aviação.
A própria Anac informou que o Sítio Flyer não integra a relação de aeródromos autorizados a funcionar em Palmas. Segundo o órgão, apenas duas pistas privadas da capital possuem situação regular para realizar pousos e decolagens.
Outro ponto que chama atenção é a disputa judicial envolvendo a área onde o aeródromo está instalado. O proprietário que reivindica a posse do imóvel registrou boletim de ocorrência após o acidente, sustentando que nunca autorizou a utilização da pista.
De acordo com um representante do proprietário, voos continuavam sendo realizados mesmo após a suspensão do registro do aeródromo pela Anac. Ele afirma que pessoas que ocupam o local impediram a retomada da posse e mantiveram as operações de forma irregular.
As circunstâncias da queda continuam sob investigação. Até a última atualização do caso, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) não havia divulgado informações sobre os trabalhos periciais. A Polícia Federal também não se manifestou sobre a situação do aeródromo.
As vítimas eram proprietárias do Hospital São Lucas, em Redenção (PA), destino da viagem interrompida pelo acidente. Roseli morreu no local da queda. Éderson chegou a receber atendimento das equipes de resgate, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o socorro e não resistiu.
Embora o local de decolagem estivesse interditado, a documentação da aeronave estava regular. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) permanecia válido até 2027. Após o impacto, a área foi isolada para os trabalhos da perícia, enquanto imagens registradas por moradores mostraram os destroços espalhados em meio à vegetação.
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