A tendência de alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) pode ter sofrido uma interrupção, segundo o mais novo Boletim InfoGripe, divulgado hoje (22) pela Fundação Oswaldo Cruz. O estudo inclui dados da semana epidemiológica 24, que vai de 12 a 18 de junho.
A Fiocruz avalia que, apesar de os números permanecerem altos se for observada a tendência das últimas seis semanas, os dados recentes apontam um patamar estável no número de novos casos, o que caracteriza a formação de um platô.
O boletim é o segundo divulgado pela Fiocruz nesta semana, já que ontem (21) a fundação publicou análise de dados que abarcavam até a semana epidemiológica 23 , de 5 a 11 de junho.
Assim como o relatório de ontem, o estudo lançado hoje aponta aumento da participação do SARS-CoV-2 entre os casos de SRAG com teste positivo para vírus: da semana epidemiológica 23 para a 24, essa participação subiu de 71,2% para 80,6%. Já entre os óbitos por SRAG, o coronavírus responde por 94% dos casos quando são considerados apenas as mortes causadas por vírus respiratórios.
Para o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, o quadro de estabilização no número de novos casos de SRAG deve ser encarado com cautela e requer mais dados para que seja confirmado.
"Embora ainda apresentem sinal de crescimento na tendência de longo prazo, os estados das regiões Sudeste e Sul dão sinais de possível interrupção nesse aumento de casos, com formação de platô nas primeiras semanas de junho. Como tivemos o feriado prolongado na última semana, pode ter algum impacto nos registros, por isso a cautela e necessidade de aguardar as próximas atualizações para confirmação do cenário", disse o pesquisador à Agência Fiocruz de Notícias.
A tendência de alta na análise das últimas seis semanas se mantém em 13 das 27 unidades da federação: Acre, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo.
A mesma situação é verificada em 16 das 27 capitais: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Natal (RN) Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).
Diferentemente dos adultos, o cenário entre crianças e adolescentes de até 11 anos é de queda no número de casos. Segundo a Fiocruz, no grupo de 0 a 4 anos, os casos continuam sendo fundamentalmente associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), embora também haja presença relevante de SARS-CoV-2 (Covid-19), rinovírus e metapneumovírus.
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