O Brasil registrou o primeiro caso de infecção por Trichophyton indotineae, um fungo resistente a antifúngicos, em um paciente atendido em Piracicaba, São Paulo, em agosto de 2024. O caso foi publicado em fevereiro de 2025 na revista Anais Brasileiros de Dermatologia, por pesquisadores da Santa Casa de São Paulo e do Instituto de Medicina Tropical da USP.
O paciente, um homem de 40 anos residente em Londres, já chegou ao Brasil infectado. Ele havia viajado por diversos países da Europa e da Ásia, regiões onde o fungo já circula há alguns anos.
O Trichophyton indotineae é um fungo dermatófito, causador de infecções na pele. As infecções por esse fungo costumam ser mais extensas, provocar coceira intensa e ter maior risco de se tornarem crônicas ou recorrentes, mesmo com tratamento adequado.
Segundo o dermatologista John Veasey, um dos autores do estudo, o paciente brasileiro apresentava lesões de pele persistentes e resistentes ao tratamento convencional. Inicialmente, ele foi tratado com terbinafina, um antifúngico comumente utilizado, mas não apresentou melhora.
Um novo medicamento foi administrado, resultando em remissão temporária dos sintomas, que retornaram após a interrupção do tratamento. Atualmente, ele segue em tratamento em Londres.
A principal dificuldade no combate ao Trichophyton indotineae é sua resistência aos antifúngicos tradicionais, tornando o tratamento mais longo e desafiador. Por isso, os especialistas recomendam maior vigilância e capacitação dos profissionais de saúde para identificar casos suspeitos.
Embora não haja registro de transmissão local no Brasil, a experiência internacional sugere alto potencial de disseminação. Até o momento, também não existem protocolos específicos para a vigilância desse fungo no país.
O Trichophyton indotineae foi descrito pela primeira vez na Índia, em 2020, e os casos internacionais ainda são recentes. O médico Felipe Prohaska, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, alerta que pessoas com imunidade comprometida, como pacientes com HIV não controlado, câncer ou internação prolongada, são mais vulneráveis a complicações.
Embora o fungo não esteja associado a alta mortalidade, em pacientes imunocomprometidos ele pode atravessar a barreira da pele e atingir a corrente sanguínea, levando a infecções sistêmicas.
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