O Brasil registrou os primeiros casos de uma nova variante da Covid-19 chamada de XFG. As infecções foram registradas no Ceará entre os dias 25 a 31 de maio e divulgadas pelo governo do estado na sexta-feira (4). Outros 38 países já detectaram casos da nova variante, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Em nota, o Ministério da Saúde disse que, até o momento, foram identificados oito casos da variante XFG, sendo dois em São Paulo, além dos seis no Ceará. Não há registro de óbitos. A pasta disse que monitora de forma contínua os sequenciamentos genômicos da Covid-19 no Brasil.
No mês passado, a OMS divulgou informações sobre o avanço da nova variante em diferentes regiões do mundo e a classificou como "variante sob monitoramento". No Sudeste Asiático, a proporção de casos atribuídos à XFG saltou de 17,3% para 68,7%, com destaque para a Índia, onde a variante se tornou dominante durante a primavera. Nas Américas a proporção subiu de 7,8% para 26,5%. A nota também cita um aumento de casos em países do Pacífico Ocidental, Europa e África.
Apesar do crescimento em algumas regiões, a OMS indica "risco global baixo para a saúde pública" e afirma que as vacinas atuais contra a Covid-19 são consideradas eficazes contra a nova variante. "Embora haja aumentos em casos e hospitalizações em algumas áreas, não há evidências de que a XFG cause doenças mais severas ou mortes", diz a organização.
No Brasil, a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará aponta um "discreto aumento nos casos de Covid-19 nas últimas semanas". Segundo boletim divulgado em 4 de julho, a positividade para o vírus subiu de praticamente 0% no início de junho para 10% no final do mês. A análise considera testes para Covid-19 realizados pelo Lacen-CE ao longo do ano.
A pasta diz que a maior parte dos sete casos foi detectada na capital, Fortaleza, mas não diz o número exato de infecções por cidade. "É possível que a nova variante seja responsável por esse aumento de casos que nesse momento ainda é discreto, mas que a gente não sabe se pode de fato ter essa transmissão subitamente elevada nas próximas semanas", afirma o secretário executivo de Vigilância em Saúde do estado, Antonio Silva Lima Neto, em vídeo divulgado pelo órgão.
Para o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a XFG é resultado da recombinação de duas linhagens: LF.7 e LP.8.1.2 -esta última já vinha se tornando dominante globalmente. Ambas descendem da linhagem Ômicron.
"A LP.8.1.2 se tornou dominante, e agora a XFG, que deriva dela, passou a predominar na Índia e está se espalhando pelo mundo", explica.
Segundo Croda, em junho de 2025, a presença da XFG nas amostras sequenciadas globalmente subiu de 7% para 23%. "Quando uma variante se torna dominante, muito provavelmente, é porque ela tem um dos dois mecanismos: ou é mais transmissível ou tem escape de resposta imunológica. Não tem relação com maior gravidade", afirma.
Até o momento, não há evidências de que a XFG cause quadros mais severos ou maior mortalidade. Os sintomas relatados são similares aos da Covid, mas com queixas de dor de garganta, rouquidão e irritação.
Croda reforça que as vacinas atualmente recomendadas são eficazes contra a XFG. O especialista destaca, no entanto, que a cobertura vacinal entre os idosos segue baixa no país, o que preocupa. "Existe uma recomendação clara da OMS e do Ministério da Saúde para que os idosos recebam pelo menos uma dose atualizada da vacina, como fazemos anualmente com a da influenza. Mas a adesão está baixa."
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a vacinação contra a Covid-19 é segura e protege contra as variantes em circulação, sendo a principal forma de prevenir casos graves da doença e mortes. Em 2025, mais de 14,2 milhões de doses já foram distribuídas em todo o país, segundo a pasta.
Ele lembra que a Covid-19 não é o principal vírus respiratório em circulação no Brasil em 2025. A influenza lidera as hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave. No entanto, a chegada de uma nova variante pode alterar esse cenário, dependendo da imunidade coletiva da população.
"A gente nunca sabe se o comportamento da variante no Brasil será igual ao de outros países. Depende de cobertura vacinal e infecções prévias. Por isso, é fundamental garantir proteção principalmente nos grupos de risco."
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