Causador da morte da cantora Preta Gil, o câncer colorretal ou de intestino, pode estar relacionado a diversos fatores de risco como a idade, sedentarismo, obesidade e alimentação desregulada, afirma o oncologista clínico Rodnei Macambira. Desenvolve-se no intestino grosso, podendo surgir tanto no cólon quanto no reto. “O cólon é a parte mais proximal do intestino grosso, enquanto o reto corresponde à porção final. Trata-se, portanto, de uma anomalia caracterizada pela presença de células malignas em uma dessas duas regiões”, explicou.
Diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da doença. “O primeiro é a própria idade. Com o passar do tempo, nós ficamos mais suscetíveis ao câncer colorretal. Pacientes mais velhos, de 50, 60 anos, podem desenvolver o câncer”, alertou Macambira.
Segundo ele, além da idade, o estilo de vida tem grande influência. “Outro fator é o sedentarismo. Pacientes que não fazem atividade física. A obesidade também. Pacientes que não controlam seu peso e têm uma alimentação desregulada. A alimentação entra como um fator de risco importante: consumo excessivo de alimentos industrializados, alimentos com fermentação, processados. O consumo excessivo de álcool também faz parte dos fatores de risco, assim como o consumo frequente de alimentos defumados, conservas, carnes vermelhas, aliado à baixa ingestão de fibras, frutas e legumes, o que é muito importante”, explicou o especialista.
O oncologista também alerta para outros fatores relevantes. “Outro fator de risco que temos entre os principais é o tabaco. E aí entra o cigarro. Pacientes que fumam têm maior risco”, disse. E completa: “Um fator de risco que muitas vezes esquecemos são as doenças inflamatórias intestinais. As principais são a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa”, disse.
Por serem sintomas geralmente inespecíficos, o diagnóstico precoce exige atenção redobrada. “Os sintomas iniciais são sintomas muito genéricos, não têm sintomas provavelmente ditos específicos. Normalmente são totalmente inespecíficos que podem acometer outras doenças. Então, o que a gente tem que ficar atento é o sangramento nas fezes, tendo muita diarreia ou muita prisão de ventre, dor abdominal, desconforto, o que não melhora com o medicamento, ou que tem piorado com o tempo. Pacientes que têm perda de peso constante, que as fezes podem estar muito finas também, e quando a gente passa tem alguma massa, então a gente pega na nossa barriga algum nódulo, algo do tipo, na região do abdômen”, disse Macambira.
A detecção precoce é fundamental para garantir a cura da doença. “A importância é fundamental. Sabemos que, quando o câncer colorretal é detectado precocemente, as chances de cura são muito maiores”, assegurou o oncologista.
Casos hereditários também merecem atenção. “Em alguns casos, o câncer colorretal pode ter origem hereditária. Existem algumas síndromes genéticas importantes, como a polipose adenomatosa familiar, entre outras. Essas síndromes fazem com que pacientes desenvolvam pólipos malignos, o que aumenta o risco de câncer colorretal. Infelizmente, os familiares desses pacientes também podem apresentar predisposição genética à doença”, explicou o médico. “O sinal de alerta deve acender quando há um histórico familiar de câncer colorretal em idade precoce. Por exemplo, se meu pai ou meu avô teve a doença, há uma chance aumentada de os filhos também desenvolverem. Parentes de primeiro grau com diagnóstico de câncer colorretal exigem atenção redobrada para investigar a possibilidade de variação genética. Mesmo casos em parentes de segundo grau devem ser considerados, sendo fundamental realizar investigação precoce para garantir um diagnóstico ágil e prevenir complicações futuras”, disse.
A principal ferramenta para rastreio é a colonoscopia, indicada a partir dos 50 anos, podendo ser antecipada para os 45. “A colonoscopia é indicada, de forma geral, a partir dos 50 anos de idade. Alguns estudos, sociedades médicas e diretrizes sugerem que esse exame pode ser iniciado entre os 45 e os 50 anos, como forma de prevenção. O ideal é que a primeira colonoscopia preventiva seja realizada dentro dessa faixa etária”, recomendou Rodnei Macambira.
Macambira explica que a colonoscopia é um exame essencial. “Trata-se de um exame muito importante, pois permite a detecção precoce de alterações que podem evoluir para o câncer colorretal, o que ajuda a reduzir a mortalidade. Quanto mais cedo se realiza o exame, maiores são as chances de encontrar lesões em estágios iniciais, o que aumenta as possibilidades de cura”, disse.
Existem ainda exames complementares. “Existem exames menos invasivos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes, que pode sugerir a presença de alguma alteração no intestino. No entanto, a colonoscopia é considerada mais precisa e eficaz nesse rastreio”, explicou. “Mais recentemente, surgiram também exames de pesquisa de DNA circulante, que consistem na coleta de sangue do paciente para verificar a presença de fragmentos de DNA tumoral. Embora ainda estejam em fase de protocolo e pesquisa, esses testes têm mostrado resultados positivos. A presença de DNA tumoral circulante pode indicar um risco aumentado de desenvolvimento de câncer colorretal, permitindo ações mais precoces”, disse.
Em relação ao tratamento, as opções são variadas e adaptadas conforme o estágio da doença. “O tratamento do câncer colorretal pode envolver, basicamente, três abordagens principais: tratamento local, tratamento sistêmico e estratégias combinadas, a depender do estadiamento da doença e das características do tumor”, disse. “O tratamento local inclui, principalmente, a cirurgia e a radioterapia. A cirurgia costuma ser indicada para tumores localizados e pequenos, como os que causam obstruções. Já a radioterapia pode ser uma alternativa nos casos em que se deseja evitar a necessidade de colostomia, sendo usada para tumores localizados no reto, por exemplo”, afirmou.
“O tratamento sistêmico, por sua vez, envolve o uso de quimioterapia, imunoterapia ou drogas imunobiológicas. Essas opções são geralmente indicadas para casos mais avançados, quando o câncer já se espalhou para outros órgãos, ou seja, quando o tumor ‘nasceu em um lugar e, infelizmente, brotou em outro’, como se costuma dizer”, explicou.
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