Casas limpas ainda podem ter baratas em diversos ambientes e o motivo é um ímã silencioso para esses insetos, que dependem de um fator crucial para sobreviver em diversos ambientes.
O biólogo Matheus Fernandes Viola, doutor em Ecologia, Biodiversidade e Evolução e responsável técnico no controle de pragas urbanas, afirma que a presença de baratas sinaliza um desequilíbrio ambiental. Dentro de residências, a água acessível pode ser o principal motivo para a permanência da praga.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) não depende apenas de produtos químicos. A estratégia reúne práticas que transformam o ambiente em um local hostil à sobrevivência desses insetos.
Viola explica que o método se organiza pelo conceito dos 4 As: acesso, abrigo, alimento e água. Entre esses fatores, a água costuma ser o que sustenta a infestação, principalmente em cozinhas, banheiros e áreas de serviço.
A água está entre os recursos mais urgentes para as baratas. Mesmo em residências bem cuidadas, um vazamento pequeno, um ralo destampado ou uma pia molhada durante a noite basta para manter o local atrativo.
O profissional ressalta que reduzir a disponibilidade hídrica muda completamente o cenário, pois interfere diretamente na sobrevivência e na permanência dos insetos.
Medidas simples fazem diferença. O especialista recomenda consertar vazamentos, secar pias e bancadas antes de dormir, manter ralos fechados, esvaziar bandejas de geladeira e de plantas, além de evitar água acumulada em recipientes.
Essas ações reduzem drasticamente a disponibilidade hídrica. Sem acesso à água, o ciclo de vida das baratas é interrompido e a permanência no ambiente se torna impossível.
A lógica é direta: menos água disponível significa menos condições de sobrevivência.
Depois de controlar a umidade, o próximo passo consiste em observar onde as baratas se escondem. Muitos desses locais também compartilham características comuns: calor e umidade.
O biólogo explica que a eliminação dos abrigos consiste em remover locais que servem de esconderijo, reprodução e depósito de ootecas (pequenos "estojos" de proteção para dezenas de ovos do inseto).
As baratas preferem espaços escuros, quentes e protegidos, como frestas de móveis, caixas de papelão, motores de eletrodomésticos e áreas úmidas sob pias.
Por isso, é importante reduzir a desordem e o acúmulo de materiais, vedar frestas e fendas, fazer manutenção em armários, azulejos e rejuntes, além de evitar caixas de papelão armazenadas por muito tempo, especialmente em locais úmidos.
Os insetos não aparecem por acaso. Eles entram e circulam com facilidade, principalmente quando encontram rotas úmidas e seguras, como áreas de ralo, conduítes, frestas e passagens perto de tubulações.
Viola afirma que o controle de baratas começa pela eliminação do acesso, pois antes de qualquer intervenção é essencial impedir que a praga continue entrando ou se desloque entre ambientes.
O especialista recomenda vedar frestas e passagens pequenas, instalar telas em janelas e ralos, selar entradas de tubulações e reforçar barreiras físicas em portas.
Ele também alerta que a infestação pode começar fora de casa, ao chegar por carona em objetos e compras.
É importante inspecionar sacolas, caixas e embalagens que podem trazer baratas, sobretudo a barata alemã (Blattella germanica), também conhecida como francesinha, que costuma chegar de carona.
Mesmo com a água controlada, as baratas ainda podem insistir se houver alimento fácil no ambiente.
Viola orienta que, com menos locais para se instalar, o próximo passo é reduzir a oferta de alimento, uma vez que qualquer resíduo pode sustentar uma colônia.
As principais recomendações incluem:
A combinação dessas medidas transforma o ambiente em um local inadequado para a sobrevivência das baratas, sem depender exclusivamente de produtos químicos.
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