Um crime de maus tratos contra um animal comunitário gerou revolta devido a violência e falta de punição para os suspeitos.
A Polícia Civil afirmou neste sábado (31) que um dos adolescentes que teve a imagem divulgada como suspeito no caso dos maus-tratos ao cão Orelha, em Santa Catarina, passou a ser tratado como testemunha.
O jovem que agora é testemunha não aparece nas imagens analisadas pelos investigadores, o que, segundo a investigação corrobora a versão da família. Parentes haviam entregado à polícia provas de que ele não estava na Praia Brava no momento do crime. Ele também negou à polícia a participação.
Os investigadores afirmam que ainda falta colher o depoimento de um dos adolescentes suspeitos. Os nomes não são divulgados. A reportagem não conseguiu localizar as defesas e a Polícia Civil não informou quem são os advogados que os representam.
Provas e depoimentos colhidos até o momento fazem a polícia descartar, ao menos por enquanto, que os adolescentes tentaram afogar outro cão na praia. Caramelo, como é conhecido, costumava estar próximo de Orelha. Ele sobreviveu e foi adotado.
O inquérito também não indica, até o momento, relação entre as agressões a Orelha e desafios promovidos para crianças e adolescentes em redes online. A hipótese foi levantada em publicações sobre o caso.
Na quinta (29), a Polícia Civil apreendeu os celulares de dois dos adolescentes. Eles estavam fora do Brasil, em viagem de formatura na Disney, nos Estados Unidos.
Orelha era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, área norte de Florianópolis. Segundo apurado pela polícia, os adolescentes teriam atacado o animal a pauladas.
O cão foi encontrado ferido por moradores da região e encaminhado ao veterinário, mas por conta da gravidade das lesões foi submetido à eutanásia. O caso aconteceu no dia 4 de janeiro e denunciado à Polícia Civil no dia 16.
O caso ganhou proporção nacional, com mobilização nas redes sociais, convocação de protestos e manifestações de artistas, influenciadores e ativistas da causa animal pedindo justiça para o animal e punição aos envolvidos.
Além dos adolescentes suspeitos, três homens adultos foram indiciados sob suspeita de coação de testemunha. Os indiciados, um advogado e dois empresários, são familiares dos adolescentes (dois pais e um tio).
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