O governo do Pará enviou, na manhã desta sexta-feira (3), uma comitiva ao município de Medicilândia, no Sudoeste paraense, para dialogar com produtores de cacau das regiões do Baixo Xingu e da Transamazônica, que enfrentam a queda no valor pago pelo quilo do produto e o aumento da concorrência com a importação do fruto do continente africano.
O governador Helder Barbalho informou que já articulou, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária, uma reunião para tratar do tema nos próximos dias, com o objetivo de buscar soluções que garantam a valorização da produção paraense e a proteção da cadeia produtiva.
“Tomei a providência de telefonar ao ministro Fávaro para pedir audiência para debater uma solução e avaliar as importações de produtos que têm diminuído o valor da produção brasileira. De imediato, o ministro marcou para a próxima quarta-feira, dia 11, em Brasília. Estaremos lá com uma comissão de produtores, o secretário de Desenvolvimento Agropecuário do Pará, Giovanni Queiroz, a Adepará e deputados, para pedir que possamos suspender a importação de produtos”, destacou o chefe do Executivo paraense.
Comercializado como commodity e atrelado às oscilações do mercado internacional, o cacau sofreu desvalorização nos últimos meses, agravada pelo aumento das importações. O Pará é, atualmente, o maior produtor de cacau do Brasil, respondendo por mais da metade do volume nacional. Em 2024, a produção estadual ultrapassou 153 mil toneladas, gerando mais de 320 mil empregos diretos.
Mobilização e defesa sanitária
A mobilização em Defesa da Cacauicultura ocorreu às margens da Rodovia Transamazônica e reuniu agricultores, lideranças políticas e representantes da comunidade. O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Giovanni Queiroz, ressaltou o compromisso do Estado em buscar soluções estruturantes, como a atração de empresas para o processamento do cacau na própria região.
O diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Jamir Macedo, também reforçou o apoio do Estado aos produtores. “Viemos ouvir os anseios do setor e buscar, de forma célere, soluções que protejam e preservem a produção paraense, garantindo renda, mercado e o escoamento adequado da produção para o produtor rural”, afirmou.
Segundo ele, além de competir com a produção nacional de amêndoas, a importação não se submete aos mesmos padrões rigorosos de segurança sanitária, o que eleva o risco de introdução de pragas e doenças exóticas no Brasil, especialmente aquelas presentes na África.
Jamir também comenta que “a legislação que regulamenta a importação de cacau necessita ser revista ou aprimorada, a fim de estabelecer um controle mais rigoroso para proteger a sanidade do País, adotando medidas mais protecionistas. Portanto, a importação, além de afetar a competitividade e os preços, representa um risco significativo se não for acompanhada de um controle criterioso de pragas e doenças provenientes de outros países”, pontuou o diretor.
Atualmente, a Adepará atua na certificação de agroindústrias artesanais de chocolate na região do Xingu e também na vigilância das lavouras em todo o território paraense para garantir a sanidade da produção cacaueira no Estado.
Impacto no Campo - Para quem vive da terra, a situação é crítica. José Santo de Moraes, produtor em Medicilândia, destacou que o quilo do cacau, antes comercializado por R$ 80, hoje não ultrapassa R$ 20 - uma queda de 75%. “Essa queda brusca no preço nos causa muita preocupação. Estamos lutando por um valor justo para o nosso produto e pedindo apoio do Estado para garantir a sobrevivência das nossas famílias. Também questionamos as importações de cacau que, muitas vezes, entram no país sem a mesma carga tributária”, ressaltou o produtor.
Outro participante da mobilização, Waltenir Moraes, produtor da agricultura familiar, reforçou a importância do apoio estadual. “Medicilândia produz cerca de 54 mil toneladas de cacau por ano. Precisamos valorizar esse produto e garantir um preço justo. O apoio do governo do Pará é fundamental, porque é quem consegue levar nossas demandas ao governo federal e defender os interesses dos produtores”, concluiu.
O governo do Pará já investiu, somente em 2025, mais de R$ 8,6 milhões no fortalecimento da cadeia produtiva, incluindo a entrega de equipamentos, capacitação técnica e implantação de sistemas de cadastro rural para otimizar os investimentos públicos no setor.
Por Evaldo Júnior (SECOM)
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