Em meio ao brilho das fantasias, ao calor das multidões e ao ritmo acelerado das festas, o Carnaval também expõe um contraste silencioso: enquanto a folia convida ao excesso e à resistência física além dos limites habituais, o corpo cobra sua própria conta, muitas vezes ignorada entre um brinde e outro. É justamente nesse cenário de longas jornadas, noites mal dormidas, consumo elevado de álcool e energéticos e hidratação insuficiente que surgem os alertas mais urgentes sobre os impactos à saúde.
Referência em nefrologia e cardiologia no Pará, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna chama atenção para os riscos que o consumo exagerado dessas substâncias, aliado à desidratação, pode causar aos rins e ao coração. Segundo a instituição, o desequilíbrio pode desencadear arritmias, infarto, insuficiência renal e descompensações em quadros de hipertensão e diabetes, inclusive em pessoas que não apresentam sintomas prévios.
A médica nefrologista Ana Lydia Cabeça explica que o álcool, ao contrário do que muitos imaginam, não contribui para hidratar o organismo. Pelo contrário, ele aumenta a perda de líquidos por diferentes vias, como suor, respiração e urina, agravando o risco de sobrecarga renal, especialmente em ambientes quentes e com grande concentração de pessoas.
Ela também destaca que os energéticos representam um perigo adicional. Isso porque algumas dessas bebidas possuem excesso de potássio, substância prejudicial para pacientes com doença renal, além de altas concentrações de glicose, que podem comprometer o controle de diabéticos.
Para reduzir os danos, a principal recomendação é simples e eficaz: beber água regularmente, inclusive intercalando com o consumo de álcool. A alimentação também exerce papel estratégico. O consumo de frutas e carboidratos de rápida absorção ajuda a amenizar os efeitos do álcool e contribui para manter o organismo equilibrado.
Outro ponto crítico é a continuidade dos tratamentos médicos. A interrupção de medicamentos para pressão arterial ou diabetes, prática comum entre foliões que pretendem consumir bebidas alcoólicas, pode provocar agravamento imediato dessas doenças e ampliar o risco de complicações.
Os cuidados também se estendem à saúde cardiovascular. O cardiologista Vitor de Holanda alerta que a mistura de álcool com energéticos é uma das combinações mais perigosas para o coração durante o Carnaval. Segundo ele, enquanto o álcool pode causar lesões no músculo cardíaco, os energéticos elevam o risco de arritmias graves e infarto.
O especialista observa ainda que o perigo não se limita a pessoas com histórico de doenças. Jovens aparentemente saudáveis também podem sofrer eventos graves, sobretudo quando associam bebidas a outras substâncias estimulantes, drogas ilícitas ou medicamentos sem prescrição.
A recomendação dos especialistas é clara: aproveitar a festa com moderação, manter a hidratação, alimentar-se bem e respeitar os tratamentos médicos são atitudes fundamentais para garantir que o Carnaval termine apenas em boas lembranças, e não em emergências hospitalares.
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