A Universidade Federal do Paraná (UFPR) investiga denúncias sobre um grupo que teria planejado ataques contra mulheres e promovido um "bolão" para apostar quem conseguiria cometer estupros. O caso veio à tona após uma estudante de Medicina relatar ameaças recebidas por mensagens.
De acordo com comunicado do Diretório Acadêmico Nilo Cairo (Danc), do curso de Medicina da universidade, a aluna estaria sendo perseguida e ameaçada por meio de contatos via WhatsApp. "Através de mensagens, foi revelado que os autores tentariam fazer um ataque a ela nos últimos dias", informou o Danc. Segundo o diretório, os responsáveis integrariam um grupo organizado de homens, que estaria planejando violentar a estudante e outras mulheres da universidade.
O Danc informou que a polícia foi acionada e que uma investigação está em andamento para identificar e localizar os suspeitos. Por orientação das autoridades, o diretório divulgou um alerta à comunidade acadêmica, recomendando que alunas redobrem a atenção ao circular em áreas como o Centro Politécnico, a reitoria e festas universitárias.
"Meninas, evitem andar desacompanhadas. Meninos, é responsabilidade de todos manter a vigilância nos seus grupos de amigos e denunciar, assim que virem, todas as mensagens que incentivem qualquer tipo de violência contra mulher, somente assim é possível criar um ambiente mais seguro para todos", alertou o Danc.
O diretório também ressaltou que o suposto vínculo dos autores com a UFPR ainda não foi confirmado, uma vez que os contatos foram feitos por número desconhecido e perfil anônimo.
Em nota, a UFPR informou que acompanha o caso desde o dia 16 e que adotou medidas para acolher a vítima e orientar os encaminhamentos formais. A universidade acionou setores internos de apoio, como a Ouvidoria da Mulher, e iniciou uma investigação preliminar por meio da Corregedoria para apurar a responsabilidade de integrantes da instituição.
A UFPR também comunicou o caso à Polícia Civil e solicitou apoio à Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Segundo a UFPR, caso haja indícios de crime federal, a Polícia Federal poderá ser acionada. O Estadão procurou a Polícia Civil, que informou que o inquérito policial foi instaurado e as investigações estão em curso.
Na manhã desta segunda-feira, 27, representantes do diretório acadêmico se reuniram com a Reitoria para discutir o caso. O reitor Marcos Sunye afirmou que a violência de gênero é uma prioridade da gestão e que todas as denúncias estão sendo apuradas com seriedade.
"Nós temos tomado várias medidas no sentido de combater o assédio, de combater a violência, de combater o feminicídio. Isso é uma grande prioridade da nossa gestão. Todas as denúncias de assédio e de violência que nós temos recebido, nós temos dado sequência. Todas as medidas serão tomadas com seriedade, segurança e respeito aos procedimentos formais", disse.
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