Na última terça-feira, 12, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que não há indícios de um surto maior de hantavírus após os casos registrados a bordo de um navio de cruzeiro que viajava pelo Oceano Atlântico. O comunicado foi feito em Madri, na Espanha, onde parte dos passageiros desembarcou.
"Não há indícios de que estejamos diante do início de um surto maior. Mas a situação pode mudar e, devido ao longo período de incubação do vírus, é possível que novos casos sejam identificados na próxima semana", ponderou Tedros.
O surto foi identificado no navio MV Hondius, que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Um casal holandês e um homem alemão morreram após serem infectados pela cepa Andes do hantavírus, a única conhecida por ser transmissível entre humanos.
Segundo a OMS, sete casos da variante foram confirmados até o momento, além de um caso provável que está em análise. Entre os infectados estão também um francês e um norte-americano.
Autoridades informaram que o paciente francês foi encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com um quadro cardiopulmonar grave.
Um dos 14 passageiros espanhóis evacuados do navio também testou positivo para a doença. Todos permanecem em quarentena em um hospital militar em Madri.
"O paciente apresentou febre baixa e sintomas respiratórios leves, mas permanece estável e sem sinais de piora clínica", informaram autoridades espanholas.
De acordo com Tedros, os países que receberam os repatriados serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos e pela vigilância dos casos. A recomendação é que os passageiros permaneçam em observação por 42 dias após a última exposição ao vírus.
O diretor-geral da OMS ressaltou ainda que a repatriação dos passageiros não encerra o trabalho de vigilância epidemiológica.
Cerca de 150 passageiros e tripulantes de aproximadamente 20 países estavam a bordo do navio, que seguiu viagem rumo à sua base nos Países Baixos com capacidade reduzida, segundo informações da AFP. "Os vírus não conhecem fronteiras", afirmou Tedros.
A embarcação iniciou a viagem em 1º de abril, em Ushuaia, na Argentina, e deve chegar aos Países Baixos no próximo fim de semana.
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados, por meio do contato com urina, fezes e saliva desses animais. No Brasil, o primeiro registro da doença ocorreu em 1993. Desde então, o Ministério da Saúde contabilizou 2.412 casos e 926 mortes pela doença.
Atualmente, há pelo menos nove variantes do vírus identificadas em roedores silvestres no País, nenhuma delas com transmissão entre pessoas. De acordo com o infectologista Klinger Faico, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), não há sinais de que o Brasil esteja caminhando para um surto de hantavírus.
"O hantavírus não é novo para nós e circula por aqui há anos, principalmente quando falamos de exposição a roedores silvestres em áreas rurais, onde ocorre o acúmulo de poeira e fezes desses animais", afirma Faico.
Segundo ele, atualmente existe um trabalho de vigilância, algo comum sempre que surge um novo caso que exige investigação e que pode evoluir rapidamente em alguns pacientes. "Eu diria que o foco, agora, precisa ser o monitoramento e o diagnóstico precoce, especialmente das populações expostas", acrescenta o especialista.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e mal-estar. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir para síndrome cardiopulmonar, com falta de ar, dor no peito e insuficiência respiratória.
Não existe tratamento específico para o hantavírus. O atendimento é baseado em suporte clínico e monitoramento dos sintomas.
Entre as principais medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde estão:
- Armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos de roedores; - Manter terrenos limpos e sem acúmulo de lixo; - Realizar o descarte adequado de entulho; - Evitar deixar ração animal exposta; - Manter plantações afastadas das residências.
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